O cantor sertanejo Rodolffo praticou racismo recreativo ao comparar o cabelo afro do professor João Luiz com a peruca que compunha uma fantasia de homem das cavernas no reality show Big Brother Brasil 21, afirma o diretor-executivo da ONG Educafro e ativista pela igualdade racial, Frei David Santos. O caso, que tomou repercussão após uma dinâmica feita no programa nesta segunda-feira (5), resultou na abertura de uma investigação policial para apurar se houve preconceito racial.

Últimas

De acordo com o diretor da Educafro, episódios de racismo envolvendo traços físicos de negros, sobretudo o cabelo, têm sido uma das mais frequentes manifestações de preconceito. Em sua visão, existe um movimento recente que ampliou a denúncia de práticas racistas, o que evidencia que a sociedade não tolera mais esse tipo de comportamento

Durante a última edição ao vivo do programa, João relatou a “piada” feita por Rodolffo e pediu respeito. O sertanejo se justificou que teria visto semelhança entre a peruca e o cabelo do professor, mas depois argumentou que jamais teria intenção de magoá-lo já que seu pai também tinha um cabelo parecido.

Para Frei David, remeter o episódio a uma situação pessoal, envolvendo familiares e amigos, é um expediente comum nesses casos como forma de atenuar o sentimento de culpa.

“Uma coisa descarada que acontece muito na comunidade branca é que na hora H, quando vem à tona, a pessoa justifica trazendo exemplos que não têm nada a ver, para amortecer e tirar a culpa de si. Mas a gente não abre mão. O que ele praticou chama-se racismo recreativo e, como tal, deve ser punido”, disse.

  • Uma das principais manifestações do racismo chama-se racismo recreativo. A relação do branco com o negro está em um nível tão de humilhação que passou a ser recreação o branco fazer piada contra o perfil, o cabelo, o nariz do negro. E isso é motivo de risada do próprio branco e dos demais em volta. O racismo recreativo é um dos mais cruéis que existe no Brasil e que precisamos combater em qualquer espaço: no BBB, na escola, na sociedade, na igreja, no ambiente de trabalho. Enquanto todos nós não fizermos esse combate com determinação e convicção o Brasil não será melhor. Acho que todo o brasileiro que ama o Brasil deseja um Brasil bom para todos, sem humilhação, sem bullying e sem racismo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *